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PRIMEIRAS IMPRESSÕES: DARKTHRONE - Pre-Historic Metal (2026 - Peaceville Records)
Por Daniel Aghehost
Publicado em 28/05/2026 12:34
Resenhas

DARKTHRONEPre-Historic Metal

Noruega | Black Metal

Peaceville Records | Clique aqui para adquirir

2026

 

FORMAÇÃO:

Fenriz - Drums, Vocals, Guitars, Bass

Nocturno Culto - Vocals, Guitars, Bass

 

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Quase quarenta anos após começarem sua caminhada pelo metal negro, Fenriz e Nocturno Culto continuam fazendo exatamente o que querem, e talvez seja justamente por isso que a DARKTHRONE continua sendo uma das bandas com maior base de fãs fiéis do metal extremo. “Pre-Historic Metal” é mais um mergulho apaixonado naquela sonoridade velha, empoeirada e absolutamente obcecada pelos anos 80, mas desta vez a banda parece mais inspirada do que em vários trabalhos recentes.

O disco soa como uma carta de amor completamente alcoolizada ao heavy, speed, doom e thrash metal mais primitivo possível. CELTIC FROST, MERCYFUL FATE, BATHORY, BLACK SABBATH, MOTÖRHEAD… tudo aparece aqui em algum momento. Mas o interessante é perceber como a DARKTHRONE filtra essas influências através daquela sujeira característica que transforma qualquer riff em algo estranho, desconfortável e cativante.

A faixa-título talvez seja o grande manifesto conceitual do álbum. “Pre-Historic Metal” não parece apenas homenagear o metal antigo, ela tenta recriar a sensação de descobrir esse tipo de som pela primeira vez décadas atrás. A música muda de direção o tempo inteiro, costurando doom, speed, SLAYER, heavy metal clássico e até momentos quase épicos de maneira completamente caótica. Os vocais cavernosos beiram o absurdo em alguns momentos, como se estivessem ecoando dentro de alguma caverna ancestral, reforçando ainda mais essa estética “pré-histórica” que o disco abraça sem qualquer vergonha.

“Siberian Thaw” desacelera tudo e entrega um dos momentos mais pesados do álbum. O riff principal é colossal, carregado daquele peso doom que parece esmagar lentamente o ouvinte. Existe algo hipnótico aqui. A repetição funciona quase como transe, enquanto os sintetizadores e as atmosferas frias criam uma sensação de vazio congelado ao redor da música. É uma faixa que mostra como a DARKTHRONE atual está muito mais interessada em atmosfera e impacto emocional do que em velocidade ou extremismo puro.

“The Dry Wells of Hell” talvez seja a música que melhor representa essa fase recente da banda. Há um espírito claramente ligado ao heavy/doom tradicional dos anos 80, especialmente BLACK SABBATH da fase Dio, CANDLEMASS e MERCYFUL FATE, mas tudo passa pelo filtro decadente e sujo da DARKTHRONE. Nocturno Culto entrega uma de suas performances vocais mais interessantes dos últimos anos, alternando momentos que parecem um lamento de criatura moribunda com passagens quase narrativas. A música inteira soa como uma procissão lenta atravessando um cenário pós-apocalíptico.

Também há espaço para um interlúdio verdadeiramente inquietante. “So I Marched to the Sunken Empire” emerge envolta em sintetizadores espectrais que criam uma atmosfera estranha, desconfortável e quase cinematográfica. É uma escolha ousada, daquelas que podem fascinar justamente pelo estranhamento, mas que também têm potencial para soar completamente deslocada dentro da proposta do álbum.

“Eat Eat Eat Your Pride” resgata aquele lado mais crust e punk da banda, especialmente a energia mais direta, crua e desleixada que marcou parte dos trabalhos recentes. A faixa injeta um vigor diferente ao álbum, rompendo momentaneamente com a atmosfera mais arrastada e opressiva das músicas anteriores. Ainda assim, a forte semelhança com ideias e estruturas que a banda já explorou nos últimos anos faz com que o impacto aqui seja menor. 

“Eon 4” encerra o álbum mantendo aquela abordagem arrastada e carregada de peso que domina quase todo o disco. As mudanças de andamento, os riffs que exalam NWOBHM e os vocais agonizantes ajudam a construir uma atmosfera decadente e melancólica. Ainda que funcione bem como encerramento e preserve a identidade que a dupla vem desenvolvendo nos últimos trabalhos, a faixa também não apresenta grandes surpresas dentro da proposta do disco, soando mais como uma continuação natural dessa fase atual da banda do que propriamente um momento marcante ou transformador.

Ao término da audição, é notória a sensação de que nem tudo funciona perfeitamente. Algumas músicas parecem excessivamente derivativas, principalmente quando a influência de MERCYFUL FATE aparece de forma quase descarada. Os vocais de Fenriz continuam tentando carregar aquela agressividade suja e primitiva característica da DARKTHRONE, mas em vários momentos acabam soando mais arrastados e preguiçosos do que realmente ameaçadores. Além disso, certas estruturas parecem simplesmente seguir qualquer direção que a banda decidiu no momento, sem grande preocupação com coerência.

“Pre-Historic Metal” é um bom disco. Tem riffs fortes, clima, personalidade e aquele amor quase obsessivo que Fenriz e Nocturno Culto carregam pelas raízes mais primitivas do metal. O problema é que, em muitos momentos, o álbum transmite exatamente a mesma sensação que praticamente todos os trabalhos recentes da DARKTHRONE vêm oferecendo há quase duas décadas: uma eterna revisita ao próprio conforto criativo.

Não há dúvidas que existe prazer nisso. Como aquele prato requentado que você conhece de cor, que já foi extraordinário em algum momento da vida e que, mesmo sem surpreender mais ninguém, continua alimentando. Continua trazendo uma sensação familiar e estranhamente acolhedora. Mas talvez seja justamente aí que mora a pequena frustração: ouvir uma banda tão importante ainda capaz de criar bons riffs e ótimas atmosferas, mas aparentemente sem qualquer interesse em realmente ir além daquilo que já vem fazendo há anos.

Ainda assim, quando a DARKTHRONE encaixa seus melhores momentos, poucos conseguem soar tão honestos e genuinamente apaixonados pelo metal quanto eles.

 

FAIXAS QUE MERECEM ATENÇÃO

“They Found One of My Graves”, “Siberian Thaw” e “Deeply Rooted”

 

7.5/10

 

(Daniel Aghehost)

 

 

 

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